Cronogramde de Leitura Memórias de um suicida

 

CRONOGRAMA DE LEITURA

Memórias de um suicida – Yvonne A. Pereira

 

CRONOGRAMA DE LEITURA

CAPÍTULOS / PÁGINAS

ENCONTRO – GOOGLE MEET

 

PRIMEIRA PARTE

 

02/03 a 08/03

Introdução, Prefácio, Cap I

09/03

09/03 a 15/03

Cap II, Cap III

16/03

16/03 a 22/03

Cap IV, Cap V

23/03

23/03 a 05/04

Cap VI, Cap VII

06/04

 

SEGUNDA PARTE

 

05/04 a 12/04

Cap I, Cap II

13/04

12/04 a 19/04

Cap III, Cap IV

20/04

20/04 a 26/04

Cap V, Cap VI

27/04

27/04 a 03/05

Cap VII, Cap VIII

04/05

 

TERCEIRA PARTE

 

04/05 a 10/05

Cap I, Cap II

11/05

11/05 a 17/05

Cap III, Cap IV

18/05

18/05 a 24/05

Cap V, Cap VI

25/05

25/05 a 31/05

Cap VII

01/06

 

Comentários

  1. INTRODUÇÃO

    Devo estas páginas à caridade de eminente habitante do mundo espiritual, ao qual
    me sinto ligada por um sentimento de gratidão que pressinto se estenderá além da vida
    presente. Não fora a amorosa solicitude desse iluminado representante da Doutrina dos
    Espíritos – que prometeu, nas páginas fulgurantes dos volumes que deixou na Terra
    sobre filosofia espírita, acudir ao apelo de todo coração sincero que recorresse ao seu
    auxílio com o intuito de progredir, uma vez passado ele para o plano invisível e caso a
    condescendência dos Céus tanto lho permitisse - e se perderiam apontamentos que,
    desde o ano de 1926, isto é, desde os dias da minha juventude e os albores da
    mediunidade, que juntos floresceram em minha vida, penosamente eu vinha obtendo de
    Espíritos de suicidas que voluntariamente acorriam às reuniões do antigo "Centro Espírita
    de Lavras", na cidade do mesmo nome, no extremo sul do Estado de Minas Gerais, e de
    cuja diretoria fiz parte durante algum tempo. Refiro-me a Léon Denis, o grande apóstolo do Espiritismo, tão admirado pelos adeptos da magna filosofia, e a quem tenho os
    melhores motivos para atribuir as intuições advindas para a compilação e redação da
    presente obra.
    Durante cerca de vinte anos tive a felicidade de sentir a atenção de tão nobre
    entidade do mundo espiritual piedosamente voltada para mim, inspirando-me um dia,
    aconselhando-me em outro, enxugando-me as lágrimas nos momentos decisivos em que
    renúncias dolorosas se impuseram como resgates indispensáveis ao levantamento de
    minha consciência, engolfada ainda no opróbrio das consequências de um suicídio em
    existência pregressa.
    E durante vinte anos convivi, por assim dizer, com esse Irmão venerável cujas
    lições povoaram minha alma de consolações e esperanças, cujos conselhos procurei
    sempre pôr em prática, e que hoje como nunca, quando a existência já declina para o seu
    ocaso, fala-me mais ternamente ainda, no segredo do recinto humílimo onde estas linhas
    são escritas!

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    Respostas
    1. Dentre os numerosos Espíritos de suicidas com quem mantive intercâmbio através
      das faculdades mediúnicas de que disponho, um se destacou pela assiduidade e simpatia
      com que sempre me honrou, e, principalmente, pelo nome glorioso que deixou na
      literatura em língua portuguesa, pois tratava-se de romancista fecundo e talentoso, senhor
      de cultura tão vasta que até hoje de mim mesma indago a razão por que me distinguiria
      com tanta afeição se, obscura, trazendo bagagem intelectual reduzidíssima, somente
      possuía para oferecer ao seu peregrino saber, como instrumentação, o coração
      respeitoso e a firmeza na aceitação da Doutrina, porquanto, por aquele tempo, nem
      mesmo cultura doutrinária eficiente eu possuía!
      Chamar-lhe-emos nestas páginas - Camilo Cândido Botelho, contrariando,
      todavia, seus próprios desejos de ser mencionado com a verdadeira identidade. Esse
      nobre Espírito, a quem poderosas correntes afetivas espirituais me ligavam,
      frequentemente se tornava visível, satisfeito por se sentir bem querido e aceito. Até o ano de 1926, porém, só muito superficialmente ouvira falar em seu nome. Não lhe conhecia sequer a bagagem literária, copiosa e erudita.
      Não obstante, veio ele a descobrir-me em uma mesa de sessão experimental,
      realizada na fazenda do Coronel Cristiano José de Souza, antigo presidente do "Centro Espírita de Lavras", dando-me então a sua primeira mensagem. Daí em diante, ora em sessões normalmente organizadas, ora em reuniões íntimas, levadas a efeito em domicílios particulares, ou no silêncio do meu aposento, altas horas da noite, dava-me apontamentos, noticiário periódico, escrito ou verbal, ensaios literários, verdadeira reportagem relativa a casos de suicídio e suas tristes consequências no Além-Túmulo, na época verdadeiramente atordoadores para mim. Porém, muito mais frequentemente, arrebatavam-me, ele e outros amigos e protetores espirituais, do cárcere corpóreo, a fim de, por essa forma cômoda e eficiente, ampliar ditados e experiências.

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    2. Então, meu Espírito alçava ao convívio do mundo invisível e as mensagens já não
      eram escritas, mas narradas, mostradas, exibidas à minha faculdade mediúnica para que, ao despertar, maior facilidade eu encontrasse para compreender aquele que, por mercê inestimável do Céu, me pudesse auxiliar a descrevê-las, pois eu não era escritora para o fazer por mim mesma! Estas páginas, portanto, rigorosamente, não foram psicografadas, pois eu via e ouvia nitidamente as cenas aqui descritas, observava as personagens, os locais, com clareza e certeza absolutas, como se os visitasse e a tudo estivesse presente e não como se apenas obtivesse notícias através de simples narrativas. Se descreviam uma personagem ou alguma paisagem, a configuração do exposto se definia imediatamente, à proporção que a palavra fulgurante de Camilo, ou a onda vibratória do seu pensamento, as criavam.
      Foi mesmo por essa forma essencialmente poética, maravilhosa, que obtive a
      longa série de ensaios literários fornecidos pelos habitantes do Invisível e até agora
      mantidos no segredo das gesuetas, e não psicograficamente.
      Da psicografia os Espíritos que me assistiam apenas se utilizavam para os
      serviços de receituário e pequenas mensagens instrutivas referentes ao ambiente em que trabalhávamos. E posso mesmo dizer que foi graças a esse estranho convívio com os Espíritos que me advieram as únicas horas de felicidade e alegria que desfrutei neste mundo, como a resistência para os testemunhos que fui chamada a apresentar à frente da Grande Lei!
      No entanto, as referidas mensagens e os apontamentos feitos ao despertar, eram
      bastante vagos, não apresentando nem a feição romântica nem as conclusões
      doutrinárias que, depois, para eles criou o seu compilador, por lhes desejar aplicar meio suave de expor verdades amargas, mas necessárias no momento que vivemos.
      Perguntar-se-á por que o próprio Camilo não o fez... Pois teria, certamente, capacidade para tanto.

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  2. Responderei que, até o momento em que estas linhas vão sendo traçadas, ignoroo
    tanto como qualquer outra pessoa! jamais perquiri, aliás, dos Espíritos a razão de tal
    acontecimento. De outro lado, durante cerca de quatro anos vi-me na impossibilidade de
    manter intercâmbio normal com os Espíritos, por motivos independentes de minha
    vontade. E quando as barreiras existentes foram arredadas do meu caminho, o autor das
    mensagens só acudiu aos meus reiterados apelos a fim de participar sua próxima volta à
    existência planetária. Encontrei-me então em situação difícil para redigir o trabalho, dando
    feição doutrinária e educativa às revelações concedidas ao meu Espírito durante o sono
    magnético, as quais eu sabia desejarem as nobres entidades assistentes fossem
    transmitidas à coletividade, pois eu não era escritora, não me sobrando capacidade para,
    por mim mesma, tentar a experiência. Releguei-os, portanto, ao esquecimento de uma
    gaveta de secretária e orei, suplicando auxilio e inspiração. Orei, porém, durante oito
    anos, diariamente, sentindo no coração o ardor de uma chama viva de intuição
    segredando-me aguardasse o futuro, não destruindo os antigos manuscritos. Até que, há
    cerca de um ano, recebi instruções a fim de prosseguir, pois ser-me-ia concedida a
    necessária assistência!
    Prosseguindo, porém, direi que tenho as mais fortes razões para afirmar que a
    palavra dos Espíritos é cena viva e criadora, real, perfeita! em sendo também uma
    vibração do pensamento capaz de manter, pela ação da vontade, o que desejar! Durante
    cerca de trinta anos tenho penetrado de algum modo os mistérios do mundo invisível, e
    não foi outra coisa o que lá percebi. É de notar, todavia, que, ao despertar, a lembrança
    somente me acompanhava quando os assistentes me autorizavam a recordar! Na maioria
    das vezes em que me foram facultados estes vôos, apenas permaneceu a impressão do
    acontecido, a íntima certeza de que convivera por instantes com os Espíritos, mas não a
    lembrança.
    Os mais insignificantes detalhes poderão ser notados quando um Espírito
    iluminado ou apenas esclarecido "falar", como, por exemplo - uma camada de pó sobre
    um móvel; um esvoaçar de brisa agitando um cortinado; um véu, um laço de fita gracioso,
    mesmo com o brilho da seda, no vestuário feminino; o estrelejar das chamas na lareira e
    até o perfume, pois tudo isso tive ocasião de observar na palavra mágica de Camilo, de
    Victor Hugo, de Charles e até do apóstolo do Espiritismo no Brasil - Bezerra de Menezes,
    a quem desde o berço fui habituada a venerar, por meus pais. Certa vez em que Camilo
    descrevia uma tarde de inverno rigoroso em Portugal, juntamente com um interior
    aquecido por lareira bem acesa, senti invadir-me tal sensação de frio que tiritei, buscando
    as chamas para aquecer-me, enquanto, satisfeito com a experiência, ele se punha a rir...
    Aliás, o fenômeno não será certamente novo. Não foi por outra forma que João
    Evangelista obteve os ditados para o seu Apocalipse e que os profetas da Judéia
    receberam as revelações com que instruíam o povo.

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  3. No Apocalipse, versículos 10 e 11 e seguintes, do primeiro capítulo, o eminente
    servo do Senhor, positiva o fenômeno a que aludimos, em pequenas palavras: "Eu fui
    arrebatado em Espírito, um dia de domingo, e ouvi por detrás de mim uma grande voz
    como de trombeta, que dizia: - O que vês, escreve-o em um livro e envia-o às sete
    igrejas..." - etc., etc.; e todo o importante volume foi narrado ao apóstolo assim, através de
    cenas reais, palpitantes, vivas, em visões detalhadas e precisas! O Espiritismo tem
    amplamente tratado de todos esses interessantes casos para que não se torne causa de
    admiração o que vimos expondo; e no primeiro capitulo da magistral obra de Allan Kardec
    - "A Gênese" - existe este tópico, certamente muito conhecido dos estudantes da Doutrina
    dos Espíritos: "As instruções (dos Espíritos) podem ser transmitidas por diversos meios:
    pela simples inspiração, pela audição da palavra, pela visibilidade dos Espíritos
    instrutores, nas visões e aparições, quer em sonho quer em estado de vigília, do que há
    muitos exemplos no Evangelho, na Bíblia e nos livros sagrados de todos os povos."
    Longe de mim a veleidade de me colocar em plano equivalente ao daquele
    missionário acima citado, isto é, João Evangelista. Pelas dificuldades com que lutei a fim
    de compor este volume, patenteadas ficaram ao meu raciocínio as bagagens de
    inferioridades que me deprimem o Espírito. O discípulo amado, porém, que, em sendo um
    missionário escolhido, era também modesto pescador, teve sem dúvida o seu assistente
    espiritual para poder descrever as belas páginas aureoladas de ciência e ensinamentos
    outros, de valor incontestável, os quais romperiam os séculos glorificando a Verdade! É
    bem provável que o próprio Mestre fosse aquele assistente...
    Não posso ajuizar quanto aos méritos desta obra.
    Proibi-me, durante muito tempo, levá-la ao conhecimento alheio, reconhecendo-me
    incapaz de analisá-la. Não me sinto sequer à altura de rejeitá-la, como não ouso
    também aceitá-la. Vós o fareis por mim. De uma coisa, porém, estou bem certa: - é que
    estas páginas foram elaboradas, do princípio ao fim, com o máximo respeito à Doutrina
    dos Espíritos e sob a invocação sincera do nome sacrossanto do Altíssimo.
    Rio de Janeiro, 18 de maio de 1954.

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